24 de março

Hoje é um dos dias mais importantes da República Argentina. Apesar de ter sido transformado em feriado há apenas 3 anos, o dia 24 de março relembra ao mais recente golpe militar que a Argentina sofreu – seis ao todo. Foi uma época muito difícil para os argentinos, porque a ditadura foi muito dura e cruel. Há mais de 30 mil desaparecidos, ao menos 400 jovens foram arrancados de seus pais – que foram mortos – e entregues a outras famílias, por muitas vezes de militares.

O governo militar nomeu este golpe de Processo de Reorganização Nacional.

Assim, no dia 24 de março há uma grande marcha, que parte do Congresso Nacional, avança pela Avenida de Mayo até a Plaza de Mayo, onde fica a prefeitura da cidade, sua catedral, o cabildo (sede do governo antes da república) e finalmente a Casa Rosada, e aí continuam as manifestações, de todos os tipos. O tema central desta marcha é lutar para que o que se passou em todas as ditaduras do país, e em especial nesta última, nunca mais se repita. Assim, tratam de não esquecer o que passou. Clamam por justiça, para que os culpados sejam presos – sempre deixando claro que não querem vingança, mas sim que as leis do país sejam cumpridas, que criminosos vão para prisão.

Mães e pais com seus filhos em carrinho de bebê, senhoras e senhores idosos que mal podem caminhar, jovens de diferentes idades e pertencentes a diferentes tribos urbanas, diversos grupos políticos a favor e contra o governo, representantes de pessoas ou grupos assassinados injustamente cujos assassinos continuam impunes, e tantos outros, se unem e participam desta marcha.

A participação popular é muito grande, e as pessoas aproveitam para apresentar outras reclamações, em geral ao governo, de diversas formas.

Há reclamações pela lentidão dos julgamentos dos envolvidos na ditadura, pela distribuição de renda, pelos salários baixos, pela insegurança. Há cartazes de desaparecidos durante a ditadura. Há o grupo de motoqueiros que protesta pela morte de motociclistas pela polícia, há representantes dos povos originais (índios) que lutam pelo direito dos seus iguais. Há os que pulam e gritam durante todo o tempo, há os que caminham tranquilamente, os que se pintam, os que oferecem abraços gratuitos, os que picham, os que dançam.

Toda uma cidade concentrada em lembrar o pior período de sua história no século passado, e lutar para que isso não se repita no futuro.

É um sentimento tão entranhado no povo argentino, que ao mesmo tempo que permeie a repetição automática, se torna um mantra para ajudar a preservar o futuro: justiça e memória.

É um evento muito bonito, e principalmente muito simbólico.

Claro que sempre há pequenos problemas; há aquele que se exalta com sua crítica ou reclamação, ou os que bebem demais na comemoração desta data, mas em sua grande maioria, todos estão lá para recordar, protestar e lutar por uma nova Argentina, agora e sempre.

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